VEREADORES IMPEDEM DEBATE SOBRE MERENDA EM SÃO BERNARDO

quarta-feira, 18 de março de 2015

O que era para ser um debate sobre as mudanças na distribuição da merenda de São Bernardo acabou se transformando numa sequência de ataques pessoais à secretária municipal de Educação, Cleuza Repulho, que foi à Câmara nesta quarta-feira (18/03) apresentar explicações sobre as alterações. Os vereadores da oposição Julinho Fuzari e Pery Cartola, ambos do PPS, resolveram ofender a secretária, que, em algumas vezes, foi impedida de responder aos questionamentos. O plenário da Câmara, que esteve lotado, se solidarizou a Cleuza, aos gritos de “machistas”.
A sessão começou pontualmente às 9h. Após apresentar os motivos das mudanças na merenda, que, de acordo com a secretária, busca reduzir o desperdício de comida e combater a obesidade infantil, os vereadores tiveram a oportunidade de realizar uma série de perguntas. No entanto, quando Cleuza tentou se explicar, foi constantemente interrompida pelos vereadores. Fuzari, aos gritos, partiu para cima da secretária com o dedo em riste, o que causou indgnação em Cleuza.

A secretária precisou pedir ao presidente da Câmara, José Luis Ferrarezi (PT), que interferisse nas agressões. “Eu quero responder a todos os vereadores, mas não vou admitir, como mulher, que um homem grite comigo. Não vou permitir”, afirmou a Cleuza. O pedido não foi suficiente, já que Fuzari continuou atacando a secretária, até que a população presente na Câmara o acusou de “machsimo”, o que constrangeu o parlamentar.
Pery Cartola (PPS) chegou a insinuar que Cleuza estava acima do peso e que, por isso, não poderia falar sobre educação alimentar. “A senhora pouco esclareceu as dúvidas. Se vê que a senhora não entende de educação alimentar.” Após o término da sessão, Cartola confessou que se “excedeu” nos “ataques pessoais”.
Vereadores da base governistas saíram em defesa da secretária. “Você (Cleuza) merece respeito como mulher e secretária. Alguns vereadores vieram com ódio e não aceitam a derrota das eleições no ano passado”, defendeu José Ferreira (PT).
Cerca de 300 pessoas acompanharam a sessão desta quarta-feira no auditório do plenário. Depois de atingir a capacidade total do espaço, os demais manifestantes foram impedidos de entrar no plenário e tiveram de acompanhar a sessão em um telão instalado do lado de fora da Casa. Um forte esquema de segurança foi armado para a sessão desta quarta.
Recomendação do MEC - Quando teve a oportunidade de falar sem ser interrompida, Cleuza informou que as mudanças feitas na distribuição da merenda escolar foram respaldadas em orientações do MEC (Ministério da Educação),  que preservam a qualidade dos alimentos e o valor nutricional para evitar sobrepeso infantil.
“Quando assumimos a cidade (em 2009) a merenda escolar era sardinha enlatada e macarrão. E isso não acontece mais. Hoje todos alimentos e sucos são naturais e orgânicos. O pão é integral e a salsinha, que muitos falam, é de peito de peru e sem corantes”, disse a secretária.
Cleuza informou que a secretaria de Educação está aberta para esclarecer dúvidas dos país dos alunos e destacou que foram feitas revisões do novo método de distribuição da merenda em todas as escolas que solicitaram. 
“Avaliamos cada escola. A mudança não foi feita e forma linear. Fizemos estudos e detectamos que cerca de 39% dos alunos da rede estão acima do peso. Tenho a consciência que algumas mudanças que tomamos agora o resultado é a longo prazo”, avaliou a secretária. 

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