As vendas de imóveis verticais novos no ABC caíram 33,6% em 2014, no pior desempenho do mercado imobiliário regional desde 2009, ano em que foram sentidos com mais intensidade os efeitos da crise mundial iniciada em setembro do ano anterior. Foram comercializadas 6.680 unidades na região no ano passado, menor volume desde as 5.126 registradas em 2009. Em 2013, as vendas somaram 10.054 imóveis.
As construtoras diminuíram drasticamente o ritmo de produção, mas ainda assim lançaram 5.077 unidades no ano passado, com queda de 41,7% sobre o volume lançado em 2013. Como as vendas superaram o número de lançamentos, o estoque de imóveis disponíveis no ABC caiu 34,3%, de 4.202 imóveis no dia 31 de dezembro de 2013 para 2.760 no último dia do ano passado.
Os dados foram divulgados ontem (3) pela Associação de Construtores, Imobiliárias e Administradores de Imóveis do ABC (ACIGABC) e consideram cinco dos sete municípios – não há informações de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A queda da confiança do consumidor, a forte desaceleração da atividade econômica e a ocorrência da Copa do Mundo e das eleições contribuíram para a queda nas vendas, avalia a entidade.
“Alguns fatores fizeram com que diminuíssem os números de vendas e lançamentos na região, como a realização da Copa do Mundo no Brasil e, logo em seguida, a reta final das eleições, que geraram incertezas nos negócios e também políticas”, disse o presidente da ACIGABC, Milton Bigucci. “A população está preocupada com o risco de desemprego e o empreendedor, com os riscos da economia”, continuou.
Para este ano, a ACIGABC projeta que o mercado imobiliário continuará passando por dificuldades. Por isso, Bigucci entende que se as vendas repetirem o desempenho de 2014 já será um bom resultado. “Não acredito que possa ser pior, porque os estoques estão baixando. Isso é um bom indício”, afirmou.
Linha 18-Bronze
Bigucci entende que, a despeito da crise, o desempenho do setor pode ser favorecido, no ABC, pela construção da Linha 18-Bronze do metrô, que deve começar neste ano, e pelo preço médio 30% inferior ao de imóveis situados em bairros vizinhos da Capital, o que favorece a migração de consumidores para a região. O presidente da ACIGABC destacou também que algumas construtoras, principalmente as mais endividadas e com maiores estoques, têm oferecido descontos pontuais de 10% a 20% nas unidades.
Os imóveis de dois dormitórios representaram 62% das vendas no ABC no ano passado. No corte por municípios, São Bernardo liderou a comercialização, com 2.580 unidades, com 39% do total. Na sequência apareceu Santo André, com 2.163 imóveis (32%).

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