Em um mercado de crise o sucesso do Rock in Rio.
Carol Nogueira Público
assiste a show da banda Stone Temple Pilots no festival SWU, que deixou de ser
produzido no ano passado. A quinta
edição do Rock in Rio, que começa na próxima sexta-feira e segue até dia 22, no
Rio de Janeiro, consolida o festival como o mais bem-sucedido modelo de negócio
do mercado de shows nacional. Durante sete dias, um público previsto de 595 000
pessoas vai se dividir entre 160 atrações – e para todos os dias do evento os
ingressos esgotaram já em abril. Poderia parecer natural para um festival
desse porte. Mas está longe disso, no momento de crise que enfrenta o setor.
Calcado em marca forte, memória afetiva arraigada e uma parceria com o poder
público, o Rock in Rio pode ser visto hoje como um caso de sucesso – ou case, no
jargão empregado por executivos e publicitários.Depois de construir altas
expectativas com a invasão de artistas estrangeiros em 2010 e 2011, com a
perspectiva de crescimento econômico para o Brasil e com o aumento do poder de
compra das classes ascendentes, as produtoras tiveram de se conformar com uma
realidade muito diferente da imaginada. O baque veio já em 2012, quando
surgiram os primeiros sinais de que algo não ia bem no mercado de shows. Os
organizadores do SWU, festival realizado nos dois anos anteriores no interior
de São Paulo, desistiram do evento. A Time For Fun (T4F) viu ingressos para
ninguém menos que Madonna e Lady Gaga encalharem
– com direito a liquidações e piadas nas redes sociais – e fechou o ano no
vermelho. Seguiu-se uma grande quantidade de demissões em todas as gigantes do
entretenimento brasileiro – além da T4F, a XYZ Live (do grupo ABC, do
publicitário Nizan Guanaes) e a GEO Eventos Já este ano, a GEO anunciou que
deixaria de produzir o Lollapalooza no Brasil. Um dos festivais mais
importantes do mundo, o Lolla deu prejuízo à empresa das Organizações Globo em
suas duas primeiras edições nacionais. A terceira edição, em 2014, ficará a
cargo da T4F, uma jogada arriscada para a empresa. Nos bastidores, circula a
informação de que a saúde da GEO anda tão debilitada que a empresa pode fechar
as portas até o ano que vem. Procurada pela reportagem, no entanto, a produtora
se recusou a comentar o assunto.
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