Lula passou a noite no Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo do Campo (SP), em companhia dos filhos, amigos e dirigentes do
partido, e lá pretende ficar durante o dia, em reunião. A dúvida agora é entre
se apresentar em São Paulo ou não se apresentar.
Em rápida conversa telefônica, o petista disse que
estava tranquilo, bem disposto, e que já tinha feito seus exercícios matinais
como faz todos os dias.
Segundo o presidente do Instituto Lula, Paulo
Okamotto, uma viagem do ex-presidente a Curitiba teria dificuldades de
logística e de segurança, especialmente depois da decisão de Moro de bloquear
as contas do petista.
O ex-presidente aguarda também o resultado de
um novo pedido de habeas corpus feito
pela defesa, dessa vez ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).
O argumento central é que o TRF-4 antecipou a
execução da pena ao determiná-la antes da publicação do acórdão do julgamento
dos embargos de declaração apresentados pelos advogados.
Ainda seria possível apresentar novos embargos e
por isso, segundo a defesa, a prisão de Lula não poderia ocorrer tão rápido.
Segundo a ordem de Moro, decretada na tarde de
quinta (5), o petista deve se apresentar à sede da Polícia Federal em Curitiba
até as 17h desta sexta (6).
A decisão foi tomada após o magistrado receber
ofício do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), pouco antes,
autorizando o início do cumprimento da pena de Lula, de 12 anos e 1 mês, com
início em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso
do tríplex de Guarujá (SP).
A ordem de prisão expedida por Moro foi a mais rápida entre
condenados da Lava Jato que estavam soltos. O ex-presidente
será preso nove meses após sentença, enquanto os outros casos duraram de 18 a
30 meses.
PF vê risco de segurança para prisão de Lula em
sindicato
A Polícia Federal descarta, por ora, o envio de
agentes ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo para prender o ex-presidente
Lula.
A avaliação dos delegados é de que uma ação desse
tipo poderia acabar em confronto e colocar em risco a vida de pessoas.
De acordo com apuração da reportagem, a cúpula da
polícia tem defendido internamente que é preciso de “tranquilidade” e “juízo”
para a situação.
Delegados afirmam que se Lula de fato não se
apresentar, haverá uma avaliação constante para definir o melhor momento de
realizar a prisão.
Avião e helicóptero à disposição
A PF tem um avião em São Paulo e um helicóptero
prontos para levar o ex-presidente Lula à Superintendência da PF no Paraná,
caso ele não se entregue em Curitiba.
Esse tipo de deslocamento evita tumulto na entrada
do prédio da corporação, na zona norte da capital paranaense, já que grupos
contrários e favoráveis ao petista articulam manifestações no local.
Segundo o chefe de escolta e custódia da polícia no
Paraná, Jorge Chastalo Filho, Lula iria de helicóptero desde o aeroporto da
capital paranaense.
Na superintendência estão presos outros alvos da
Lava Jato, como o ex-ministro Antonio Palocci e o empreiteiro da OAS Léo
Pinheiro, que negociam delação. Os detidos recebem visita uma vez por semana.
Lula ficará em um local classificado por Moro
como”sala do Estado-maior. Trata-se de um dormitório de agentes, com janela e
banheiro, adaptado. Um beliche foi retirado e uma cama de solteiro colocada no
local. Há câmeras fora dessa sala. (Marina Dias, Camila Mattoso, Ricardo
Kotscho, Catia Seabra e Felipe Bätchtold, Folhapress).
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