A comissão especial do impeachment abriu sessão, por volta das 11h40 desta quarta-feira (6), para ouvir a leitura da manifestação da presidente afastada Dilma Rousseff na fase intermediária do processo. Como a petista decidiu não comparecer ao colegiado para ser interrogada, o advogado dela, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, fará a leitura do documento, que tem 30 páginas.
O presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), informou que, a princípio, não haverá espaço para perguntas dos senadores a Cardozo após a leitura da manifestação de Dilma. Ao chegar ao plenário da comissão especial, Cardozo recebeu apoio de dez manifestantes contrários ao impeachment. Eles desejaram “boa sorte” para o ex-ministro e gritaram “fora Temer, volta Dilma”.
Após incertezas em torno do comparecimento de Dilma na sessão, a própria presidente afastada informou nesta terça-feira (5), em sua conta pessoal no microblog Twitter, que não iria depor à comissão especial do Senado. Na rede social, ela comunicou que Cardozo a representaria na sessão desta quarta e que estava avaliando comparecer, em outra ocasião, no plenário da Casa.
"A minha defesa amanhã [quarta] será feita por escrito e lida pelo meu advogado [Cardozo]. Estamos avaliando a minha ida ao plenário do Senado, em outro momento", publicou a petista na rede social.
Antes da leitura da mensagem da presidente afastada, o presidente da comissão, Raimundo Lira, disse que informou ao colegiado que, com a ausência de Dilma, não seriam permitidos questionamentos a Cardozo.
“A presidente afastada mandou um texto por escrito. Tendo em vista que não haverá interrogatório, não haverá oportunidade para formulação de perguntas, nem para lista de oradores. Processualmente só ela poderia responder às indagações”, anunciou Lira.
O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), contestou a possibilidade de o advogado da petista poder ler uma manifestação da petista.
“Nós estamos inovando aqui nesta comissão. Em nenhum lugar do mundo, nos julgamentos, existe isso de ler uma manifestação da denunciada em um interrogatório”, reclamou o tucano.
A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) defendeu a leitura do documento e disse que faz parte do “amplo direito de defesa da petista”.
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