Nesta semana, 46 trabalhadores da Sabesp (Companhia de Saneamento de São Paulo) que atuavam em Diadema foram cortados da folha de pagamento, 13% de todo o corte já feito. Em todo o Estado, 335 funcionários já passaram pela homologação, e na próxima semana pode haver mais cortes. Para o Sintaema (sindicato da categoria), o motivo não é outro senão a crise hídrica. A redução de pessoal pode afetar os serviços de abastecimento no ABCD, uma vez que mais pessoas podem estar na lista de demitidos pela empresa ligada ao governo de Geraldo Alckimin (PSDB).
No próximo dia 10, terça-feira, os trabalhadores vão se reunir em assembleia para decidir sobre paralisação a partir do dia 19. A reunião será na sede da entidade, na avenida Tiradentes, 1.323, Capital, às 17h. Além disso, o Sintaema estuda ingressar com ação jurídica contra a Sabesp por conta dos cortes.
Para o diretor da Assessoria Jurídica do sindicato, Roberto Alves Silveira, o Gaúcho, a falta d'água para abastecer empresas e residências da Grande São Paulo é o principal motivo para que Alckmin tenha decidido pelas demissões. “O governador está diretamente ligado a essa atitude. A administração do PSDB está há 25 anos no poder e sempre evitou em investir na melhoria do sistema de abastecimento e também na reservação de água”, criticou.
Em efeito dominó, os problemas gerados pela falta d'água também fizeram a Sabesp perder receita desde o ano passado, conforme o diretor sindical. “A população foi forçada a reduzir o consumo e a Sabesp lançou as bonificações. Com isso a receita diminuiu e a solução encontrada pelo governo foi enxugar a folha de pagamento”, salientou Gaúcho.
Nível do reservatório - Desde o início do ano, Alckmin anuncia o Sistema Rio Grande, abastecedor de parte do ABCD, como salvador da crise hídrica. Porém, especialistas argumentam que, além de o reservatório ser pequeno (capacidade para 112 milhões de metros cúbicos de água, ante os 990 milhões que existiam no Cantareira), a água está poluída por coliformes fecais. “O governo do Estado não se preocupou em implantar a limpeza dos mananciais e também educação ambiental nas comunidades”, reforçou Gaúcho.
Nesta semana, uma obra feita em Diadema vai garantir que o manancial envie volume para o Sistema Guarapiranga. No ano passado, Alckmin também ordenou que metade das residências de Santo André passasse a depender da água do Rio Grande. Atualmente, restam 85,2% da capacidade do reservatório.
A Sabesp foi procurada, porém, até o momento não se manifestou sobre o assunto.
Sem compromisso – A Sabesp assumiu os serviços em Diadema em 31 de março de 2014, sob protestos de trabalhadores e da sociedade. A empresa alegava que a cidade possuía uma dívida no repasse de volume d'água.
Na gestão do prefeito Mario Reali (PT), a proposta era que Saned (autarquia que atuava no abastecimento) aceitasse a Sabesp como sócia nas operações. Isso garantiria a estabilidade dos trabalhadores.
Porém, tão logo assumiu a Prefeitura, Lauro Michels (PV), junto com aliados na Câmara dos Vereadores, permitiu que o governo do Estado permitiu que a Saned fosse fechada e que todo o abastecimento fosse executado exclusivamente pela Sabesp.

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