Experimente dizer para uma das meninas que integram o Valentina, equipe com sede em Santo André, que rúgbi é esporte para homem. Femininas e vaidosas, elas não abrem mão de tudo que qualquer mulher gosta, mas no momento de escolher uma modalidade, optaram por esporte que vem ganhando cada vez mais espaço entre os jovens brasileiros.
Thamara Duvivier, 22 anos, é um bom exemplo. Desde que teve acesso à modalidade, por meio de cartaz na faculdade, se apaixonou e mesmo enfrentando resistência de amigos e familiares, jamais pensou em desistir. “Há uns três anos vi que a Metodista iria montar um time feminino e me interessei, mas depois acabou não dando certo e fui procurar outros times, até que no ano passado conseguimos fundar o Valentina, que é o único time feminino do Grande ABC”, orgulha-se a jogadora.
A equipe aproveitou a última temporada para se estruturar, arrumar um local para treinamento e deve disputar os primeiros campeonatos neste ano. “Costumo dizer que agora vamos colher tudo que plantamos em 2014. Vamos inscrever o time nas competições estaduais”, projeta Thamara.
Ela explica que os hematomas são normais e comuns a qualquer outro esporte coletivo de contato. As marcas, porém, fazem com que seu pai recomende que deixe a modalidade de lado. “Meu pai sempre me fala para eu parar de jogar, mas não consigo. Gosto muito do rúgbi. Além do que, as marcas são normais, mas não é um esporte violento. Temos técnica para cair, na hora de ter um confronto. Parece que é brusco, mas quem joga sabe que é muito gostoso”, garante Thamara.
O time, composto por 18 meninas que participam integralmente dos treinos, que são realizados aos sábados, às 15h, na Praça Elis Regina, no Capuava, foi formado basicamente por amigas, das amigas. “Uma menina joga e chama uma colega para acompanhar o treino. Ela gosta e acaba ficando, não tem jeito. É sempre assim. É uma modalidade que contagia, divertida”, garante Thamara. “É um esporte que, acima de tudo, te ensina valores, te dá satisfação em participar”, acrescenta.
Com muito esforço e participação conjunta das jogadoras, do técnico Fred Bach e da comissão formada por Diego Navarro e Guilherme Jacintho, o time já conseguiu patrocinador que cedeu uniforme de jogo e materiais para o treinamento. “As valentes, como gostamos de chamar, seguem sempre na luta por patrocínio, espaço e reconhecimento”, finaliza Thamara.
Qualquer menina pode participar da equipe, basta procurar os reponsáveis no dia e local de treinamento.
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