Justiça italiana determina prisão de Pizzolato em Modena

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Ex-diretor do BB se apresentou à Justiça italiana nesta sexta-feira (7). Prisão tem prazo indeterminado; Pizzolato pediu que não seja extraditado.

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolato continuará preso em Modena, no norte da Itália, por prazo indeterminado, segundo decidiu a Justiça italiana em audiência nesta sexta-feira (7). De acordo com a juíza responsável pelo caso, o ex-diretor – preso na quarta-feira (5), em Maranello, e já condenado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – permanecerá preso por haver "perigo de fuga". 

Pizzolato se apresentou à Corte de Apelações de Bolonha, onde foi feito seu reconhecimento oficial. Além disso, o mandado de prisão provisória internacional que já havia sido expedido foi validado, permitindo que ele permaneça detido. Durante a audiência, Pizzolato disse que não quer ser extraditado para o Brasil.

"Pizzolato explicou ao juiz as razões pelas quais veio do Brasil", disse o advogado. "Segundo ele, o processo não está sendo levado de modo correto, e ele o considera um processo político. Considera que não cometeu os fatos que lhe foram atribuídos. Está muito sereno, tranquilo, e tem muita confiança na justiça italiana."

O advogado afirmou que não vai recorrer da decisão, mas está avaliando se pode levar à corte elementos novos para pedir ao juiz uma substituição da medida pela de prisão domiciliar. De acordo com o advogado, Pizzolato está preso em uma cela comum na penitenciária Sant'Anna de Modena e divide o espaço com outros prisioneiros. O objetivo da defesa era fazer com que o ex-diretor do BB aguardasse o processo de extradição em prisão domiciliar.

Bergami disse que a audiência foi realizada em um clima muito "cordial e positivo". Pizzolato falou em italiano e não quis ter um intérprete. Dentro do tribunal, o ex-diretor não estava algemado – no trajeto até a Corte, dentro de uma van da polícia, porém, ele estava com as mãos presas.

Após a audiência, Pizzolato foi levado de volta para Modena. A mulher dele, que esteve na Corte de Apelações nesta sexta-feira, não quis falar com os jornalistas presentes. O processo de extradição dele, condenado a 12 anos e 7 meses de prisão no julgamento do mensalão, ainda será feito pelo Brasil. Depende de um pedido do STF e da análise do Ministério da Justiça, que formaliza a ação junto à Justiça italiana.

Pizzolato era o único foragido dos 25 condenados pelo STF no julgamento do mensalão. Ele foi considerado culpado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato (crime cometido por um funcionário público ao se apropriar de dinheiro, valor ou outro bem que possui em função do cargo, ou ao desviá-lo em proveito próprio ou alheio) e lavagem de dinheiro.

Com ele, na Itália, foram encontrados diversos documentos falsos, incluindo um passaporte em nome do irmão mais velho, Celso Pizzolato, morto em 1978.
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