País tem 30% dos trabalhadores sem o fundamental completo

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

População empregada que concluiu o ensino superior é de cerca de 15%

Os novos dados do mercado de trabalho apurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que quase um terço das pessoas ocupadas no Brasil não terminou o ensino fundamental ou não tem sequer algum nível de instrução. Por outro lado, a fatia da população empregada que concluiu o ensino superior corresponde a pouco menos de 15% dos trabalhadores.

A Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) exibe dados a partir do primeiro trimestre de 2012. De lá para cá, a proporção de pessoas na base mais baixa da pirâmide educacional diminuiu. Uma tendência já mostrada pela Pnad anual. Mas a situação continua a preocupar especialistas do ponto de vista da produtividade e do crescimento potencial do País, algo debatido incansavelmente por economistas.

De acordo com as informações da Pnad Contínua, as pessoas de 14 anos ou mais que não tinham concluído o ensino fundamental respondiam por 26,9% dos 90,6 milhões de ocupados no segundo trimestre de 2013 (dado mais recente divulgado pelo instituto). Entre as pessoas que não têm nível algum de instrução, esse porcentual era de 5,4%. Os que concluíram o ensino superior, por sua vez, eram 14,9% dos ocupados naquele período.

Segundo o economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-RJ, José Márcio Camargo, há duas consequências.
— Primeiro, a economia brasileira cresce pouco no longo prazo. Não é sustentável, porque a produtividade não aumenta. Além disso, contribui para a má distribuição de renda.

Já o economista da Tendências Consultoria, Rafael Bacciotti, um dos fatores preponderantes que compõem o PIB (Produto Interno Bruto) é o nível educacional.
Sem calcular o quanto um melhor nível da educação poderia acrescentar ao PIB, ele afirma que a formação tem papel fundamental para o crescimento potencial do País, o que demandaria investimentos não só em capital físico e tecnologia, mas também em capital humano.

A Pnad Contínua ainda não divulga dados segregados por atividade. Mas o IBGE pretende abrir mais essa possibilidade na nova pesquisa.

Para o coordenador de Trabalho e Rendimento do instituto, Cimar Azeredo, isso será importante para entender qual o tamanho dessa força de trabalho e, assim, analistas poderão calcular o quanto pode aumentar a produtividade. Porém, ele não definiu um prazo para inclusão desses dados.

Solução :

De 2004 para cá, o crescimento do mercado de trabalho ocorreu em cima da ociosidade, destacou o economista Douglas Uemura, da LCA Consultores. Hoje, com uma taxa de desemprego relativamente baixa e uma dinâmica de emprego mais apertada, ele afirma que a economia vai depender cada vez mais da ampliação da capacidade.

"Tem por onde crescer. Mas cada vez mais o crescimento vai depender de produtividade", afirma. Ele ressalta, porém, que não basta investir em educação. É preciso também avaliar a qualidade.

A resolução do problema não é fácil. Segundo Camargo, alguns países tentam abreviar o caminho com a oferta de cursos técnicos de curta duração, mas o retorno é pequeno. 

— Não conheço solução de curto prazo. É preciso haver enorme aumento do investimento no ensino público, principalmente na pré-escola e no ensino fundamental. Hoje, os investimentos são muito focados no ensino superior. É preciso concentrar investimentos para evitar que, no futuro, a pessoa chegue à idade adulta com tão baixa qualificação.

Para o economista-chefe da Opus, o Brasil nunca criou uma liderança política que tivesse como prioridade os investimentos em educação.
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