Rock in Rio mais fraco de todas as edições.
Ao todo,
foram sete dias intensos de muita música, calor e brincadeiras para um público
total estimado em 595.000 pessoas. Mas a música, com algumas fantásticas
exceções, deixou a desejar. Não fosse o apoteótico show de Bruce Springsteen no
último sábado, seria possível dizer que nunca o Rock in Rio será tão ruim
novamente. Porque, apesar do espetáculo de quase três horas do roqueiro
americano, a edição 2013 não escapou de ser a pior já feita do festival, criado
em 1985 pelo empresário Roberto Medina. Entre alguns bons acertos, abundaram
shows de apostas sem sentido, como o vencedor do American Idol Phillip
Phillips ou a britânica Jessie
J no palco principal, homenagens
desconjuntadas e espaço para o rock brega (se não decadente) de nomes como Nickelback
e Jon Bon Jovi.E, ainda que música não pareça o mais importante para os
frequentadores do evento, afinal um festival atrai especialmente pela atmosfera
que oferece, aqui enriquecida pela presença de brinquedos e passatempos variados,
ela ainda é essencial ao que ele se propõe. E a marca Rock in Rio é
suficientemente forte e consagrada para que se espere algo melhor dela.Mas
sejamos justos com o evento. Com esta edição, o Rock in Rio provou estar, ao
menos em termos de organização e produção, nivelado com outros grandes
festivais mundiais, como o Coachella, que acontece na Califórnia, nos Estados
Unidos. A quantidade de ingressos vendidos desta vez (85.000 por dia) também
casou com o tamanho da Cidade de Rock – era difícil andar pelo público no fim
da noite, mas não impossível como praticamente foi em 2011, quando 100.000
pessoas aportavam diariamente no local. Ao todo, foram sete dias intensos de
muita música, calor e brincadeiras para um público total estimado em 595.000
pessoas.As parcerias feitas pelo evento com seus patrocinadores também se
mostrou um modelo ideal para a sua realização. É estranho andar pela Cidade do
Rock e ver marcas atrás de marcas, como uma Times Square? É. Mas, se isso é o
que faz o festival acontecer de uma maneira tão bacana, que seja. Afinal, são
os patrocinadores que proporcionam experiências tão diversas aos frequentadores
quanto estúdios de tatuagem e salões de cabeleireiros. Em termos do que
pode ser melhorado para a próxima edição, em 2015, que deve ser transmitida em
telões pelo Brasil e em Nova York (aliás, na já citada via dos outdoors), a
organização pode começar a pensar em uma nova localização para o Palco Sunset,
como já foi proposto
por Roberta Medina. Seria ótimo para aproveitar melhor os artistas colocados
neste palco, cheio de boas surpresas, que poderiam ser vistos por mais
pessoas. Além disso, o som dos dois palcos precisa ser mais bem
equalizado. Cada dia era uma susto. Muse e Sepultura tocaram com som alto,
quase estourado, enquanto Metallica e Justin Timberlake tiveram som tão baixo
que às vezes era impossível distinguir os instrumentos. O mesmo aconteceu no
Palco Sunset em quase todas as apresentações, como Ben Harper e Charlie
Musselwhite. Já o palco eletrônico precisa ser repensado, pois quase não
atrai público durante o evento. Ou é extinto de vez ou traz atrações maiores –
David Guetta, por exemplo, faria mais sentido lá do que no Palco Mundo.
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