Processo
é referente aos anos de 2005 a 2008 e valor atinge R$ 730 milhões. A Globo
Comunicação e Participações perdeu recurso administrativo no Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda referente a
uma cobrança de multa da Receita Federal no valor de R$ 730 milhões. O valor
milionário refere-se a infrações contábeis. Ainda é possível recorrer. Caso isso
não aconteça, o órgão pode executar o pagamento, cujos valores devem sofrer
correção e aumentar. A fiscalização, chamada pela Receita de mandado de
procedimento fiscal, teve como objetivo verificar a apropriação
de receita decorrente de perdão de dívida concedido em 2005 pelo banco
J.P. Morgan no valor de R$ 152,8 milhões. Segundo a Receita,
operações societárias no grupo feitas depois, como a aquisição da Globopar pela
TV Globo, com envolvimento da Globo Rio, podem ter amortizado um ágio
(diferença entre o custo de investimento e seu valor contábil), que foi
constituído pela aquisição das próprias ações da empresa. Na decisão do
órgão colegiado, a Receita chega a mencionar que operou "um milagre"
no balanço da Globopar. Na operação, a dívida da Globopar com a sócia, a
TV Globo, se extinguiu. De outro lado, a liquidação dessa dívida, mediante
absorção de prejuízos, favoreceu os sócios por aumentar o patrimônio
líquido da Globopar, à semelhança de um aporte de capital, conforme
descreve documento do processo. O Fisco ressalta que todas as empresas
possuem os mesmos sócios: Roberto Irineu Marinho, José Roberto Marinho e
João Roberto Marinho, o que é um indicio de que as operações foram
realizadas para a criação, transferência e amortização de um ágio que
"não existia". Como consequência, houve redução indevida de tributos.
Documento do processo aponta que o caso pode ser definido como uma incorporação
às avessas, em que a empresa controlada incorpora sua controladora, e as
operações podem ser caracterizadas como artificiais. No recurso, as
Organizações Globo argumentou que as operações foram realizadas com o objetivo
de reestruturar as dívidas da Globopar, que eram em sua maioria em moeda
estrangeira e que, graças à maxidesvalorização da moeda nacional ocorrida em
2002, tornaram-se virtualmente impagáveis. Contatada pela reportagem, a Globo
informou por meio de assessoria de imprensa que não comentará o caso, uma vez
que o recurso solicitado pela emissora ainda não foi a julgamento. A Receita
Federal não comenta a decisão alegando sigilo fiscal. Outras cobranças: A
TV Globo já foi anteriormente cobrada em mais de R$ 600 milhões por suposta
sonegação fiscal na compra dos direitos de retransmissão da Copa do Mundo de
2002, cujo processo acabou extraviado. A Receita Federal informou o extravio
dos autos do procedimento fiscal, que gerou investigação paralela para
identificar os envolvidos. A investigação resultou em ação criminal contra a
servidora da Receita Federal Cristina Maris Meinick Ribeiro, condenada a 4 anos
e 11 meses de prisão pela 3ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro por esta e
outras fraudes. O Ministério Público Federal aponta que ofereceu oportunidades
para que a servidora cooperasse com as investigações e indicasse os eventuais
coautores do delito, porém Cristina optou por fazer uso de seu direito
constitucional ao silêncio. O procedimento fiscal extraviado foi reconstituído,
e a tramitação seguiu seu curso regular, protegida por sigilo fiscal, declara o
MPF, em nota. A Globo já declarou, em nota, que não existe mais nenhuma
pendência tributária da empresa com a Receita Federal referente à aquisição dos
direitos de transmissão da Copa do Mundo de Futebol de 2002.Um terceiro
processo, que também envolve infrações no Imposto de Renda pela empresa,
referente a 2006, ainda está em trânsito na Justiça, segundo dados do
Ministério da Fazenda. Globo terá que pagar multa milionária para Receita Federal.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Processo
é referente aos anos de 2005 a 2008 e valor atinge R$ 730 milhões. A Globo
Comunicação e Participações perdeu recurso administrativo no Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda referente a
uma cobrança de multa da Receita Federal no valor de R$ 730 milhões. O valor
milionário refere-se a infrações contábeis. Ainda é possível recorrer. Caso isso
não aconteça, o órgão pode executar o pagamento, cujos valores devem sofrer
correção e aumentar. A fiscalização, chamada pela Receita de mandado de
procedimento fiscal, teve como objetivo verificar a apropriação
de receita decorrente de perdão de dívida concedido em 2005 pelo banco
J.P. Morgan no valor de R$ 152,8 milhões. Segundo a Receita,
operações societárias no grupo feitas depois, como a aquisição da Globopar pela
TV Globo, com envolvimento da Globo Rio, podem ter amortizado um ágio
(diferença entre o custo de investimento e seu valor contábil), que foi
constituído pela aquisição das próprias ações da empresa. Na decisão do
órgão colegiado, a Receita chega a mencionar que operou "um milagre"
no balanço da Globopar. Na operação, a dívida da Globopar com a sócia, a
TV Globo, se extinguiu. De outro lado, a liquidação dessa dívida, mediante
absorção de prejuízos, favoreceu os sócios por aumentar o patrimônio
líquido da Globopar, à semelhança de um aporte de capital, conforme
descreve documento do processo. O Fisco ressalta que todas as empresas
possuem os mesmos sócios: Roberto Irineu Marinho, José Roberto Marinho e
João Roberto Marinho, o que é um indicio de que as operações foram
realizadas para a criação, transferência e amortização de um ágio que
"não existia". Como consequência, houve redução indevida de tributos.
Documento do processo aponta que o caso pode ser definido como uma incorporação
às avessas, em que a empresa controlada incorpora sua controladora, e as
operações podem ser caracterizadas como artificiais. No recurso, as
Organizações Globo argumentou que as operações foram realizadas com o objetivo
de reestruturar as dívidas da Globopar, que eram em sua maioria em moeda
estrangeira e que, graças à maxidesvalorização da moeda nacional ocorrida em
2002, tornaram-se virtualmente impagáveis. Contatada pela reportagem, a Globo
informou por meio de assessoria de imprensa que não comentará o caso, uma vez
que o recurso solicitado pela emissora ainda não foi a julgamento. A Receita
Federal não comenta a decisão alegando sigilo fiscal. Outras cobranças: A
TV Globo já foi anteriormente cobrada em mais de R$ 600 milhões por suposta
sonegação fiscal na compra dos direitos de retransmissão da Copa do Mundo de
2002, cujo processo acabou extraviado. A Receita Federal informou o extravio
dos autos do procedimento fiscal, que gerou investigação paralela para
identificar os envolvidos. A investigação resultou em ação criminal contra a
servidora da Receita Federal Cristina Maris Meinick Ribeiro, condenada a 4 anos
e 11 meses de prisão pela 3ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro por esta e
outras fraudes. O Ministério Público Federal aponta que ofereceu oportunidades
para que a servidora cooperasse com as investigações e indicasse os eventuais
coautores do delito, porém Cristina optou por fazer uso de seu direito
constitucional ao silêncio. O procedimento fiscal extraviado foi reconstituído,
e a tramitação seguiu seu curso regular, protegida por sigilo fiscal, declara o
MPF, em nota. A Globo já declarou, em nota, que não existe mais nenhuma
pendência tributária da empresa com a Receita Federal referente à aquisição dos
direitos de transmissão da Copa do Mundo de Futebol de 2002.Um terceiro
processo, que também envolve infrações no Imposto de Renda pela empresa,
referente a 2006, ainda está em trânsito na Justiça, segundo dados do
Ministério da Fazenda.
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