O governo de São Paulo anunciou que, em 2014, 50.000 alunos da rede
estadual de ensino frequentarão escolas de tempo integral. De acordo com
a Secretaria Estadual de Educação, o novo modelo de tempo integral —
que prevê jornada de oito horas e meia no ensino fundamental e de nove
horas e meia no médio — terá adesão de 170 unidades de ensino no próximo
ano. A meta inicial da secretaria, que era implantar o ensino integral
em 300 escolas, só deve ser atingida em 2015.
Os professores das escolas que optam pelo modelo passam a ter dedicação
exclusiva, recebendo bonificação de 75% sobre o salário. Já os alunos,
além das disciplinas do currículo tradicional, têm matérias eletivas,
que vão de prática de ciências à moda.
Mais tempo na escola e dedicação exclusiva, aliás, são algumas das
barreiras para a expansão. No ensino médio, por exemplo, muitos alunos
precisam trabalhar. Na outra ponta, professores recusam a dedicação
exclusiva por preferirem manter jornada de trabalho dupla, atuando em
mais de uma escola.
A rede estadual tem hoje dois modelos de ensino de tempo integral. O
primeiro, criado em 2006, foi imposto em 500 escolas de ensino
fundamental. Depois do registro de vários problemas, como falta de
materiais e espaços adequados às atividades, o estado foi diminuindo o
número de escolas que o adotavam e planeja abandoná-lo de vez. Em 2012,
21 escolas migraram do modelo velho para o novo. Das 101 que adotarão o
programa em 2014, 36 farão a migração.
A dedicação exclusiva do professor é apontada como o grande diferencial
entre os dois modelos. Isso porque evita a divisão entre as disciplinas
tradicionais e o conteúdo diversificado. Também elimina as aulas vagas.
"Minha antiga escola tinha muita aula vaga, mas agora sempre tem
alguém. Até os alunos podem ajudar", diz Mariana Alves, de 15 anos,
aluna da Escola Estadual Prefeito Nestor de Camargo, em Barueri. A
unidade foi uma das 16 primeiras a receber a nova modalidade.
O governador Geraldo Alckmin já indicou que planeja levar tempo
integral para todas as 5.000 escolas do estado. Mas, hoje, o governo
trabalha com a meta de instituir o programa, a longo prazo, em um terço
de sua rede.

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