Arte, cultura e jornalismo cultural na obra de Patrícia Galvão

quinta-feira, 25 de abril de 2013




     Os últimos anos de vida de Patrícia Galvão em Santos, sua atuação na área cultural e a atualidade de seu pensamento serão tema de vários debates durante os meses de abril e maio, em Santos. Eles serão coordenados pela jornalista e pesquisadora Márcia Costa, autora do livro 
De Pagu a Patrícia – o último ato(Dobra Editorial/Prefeitura de Santos), obra que busca revelar a intelectual por trás do mito.
Dia 26 de abril (sexta-feira), às 19h, Aliança Francesa. Debate que contará com a presença do escritor Flávio Viegas Amoreira, será “Patricia Galvão e a cultura francesa”, com foco na vanguarda modernista, que influenciou fortemente a formação intelectual de Patrícia Galvão e o pensamento ocidental. A cantora Alice Mesquita interpretará canções francesas que Patrícia adorava.
Dia 27 (sábado), às 17h, Sesc. “Salve Santos e Pagu - sobre cultura e arte: a atualidade do pensamento de Patrícia Galvão”, mediado pelo jornalista e historiador Marcus Batista. A atriz Marisa Matos apresentará uma performance sobre a relação de Patrícia Galvão com o teatro a partir do texto Degraus da Escada, publicado por ela em A Tribuna em 1959.
Dia 3 de maio (sexta-feira), às 14h, Campus da Unifesp. Palestra organizada pela Associação de ex-alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade. O tema será “A efervescência cultural dos anos 50 e a atuação de Patrícia Galvão nos espaços culturais da cidade”.
Dia 08 de maio (quarta-feira), às 20h, Vila do Teatro. Debate com o público sobre o tema “Patrícia Galvão, a vanguarda e a experimentação teatral”.
Dia 17 de maio (sexta-feira), às 18h30, Livraria Porto das Letras. O assunto será “O que ler, segundo Patrícia Galvão - por uma formação crítica”.
Todos os eventos são abertos aos mais diversos públicos e têm entrada gratuita.
Endereços:
Sesc - Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida.
Aliança Francesa - Rua Rio Grande do Norte, 98, Gonzaga.
Unifesp - Rua Silva Jardim, 136, Vila Mathias.
Vila do Teatro - Rua Visconde do Embaré, nº 6, na Praça dos Andradas, Centro.
Porto das Letras - Av. Senador Pinheiro Machado, 1024, José Menino.

Dados biográficos
Patrícia Rehder Galvão (São João da Boa Vista SP 1910 - Santos SP 1962), romancista, tradutora, jornalista, professora, anarquista e comunista, era uma mulher à frente do seu tempo. Foi a primeira mulher presa no Brasil por motivações políticas. Era avançada para os padrões da época, pois cometia algumas “extravagâncias” como fumar na rua, usar blusas transparentes, manter os cabelos bem cortados e eriçados e dizer palavrões. Não queria saber o que pensavam dela, tinha muitos namorados e causava polêmica na sociedade. Especula-se que era amante de Oswald de Andrade desde a época em que ele era casado com Tarsila do Amaral. Esse comportamento não era compatível com sua origem familiar, que era uma tradicional família e muito conservadora.
Aos 3 anos, mudou-se com a família para São Paulo e foi residir no bairro industrial do Brás. Concluiu os estudos na Escola Normal em 1928, ao mesmo tempo que estudava literatura e arte dramática no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.
No ano seguinte, aos 19 anos, conheceu o escritor Oswald de Andrade (1890-1954) e a artista plástica Tarsila do Amaral (1886-1973), envolvidos com o movimento antropofágico, e teve um de seus desenhos publicado na Revista de Antropofagia. Em 1930, Pagu - apelido que surgiu de um erro do poeta modernista Raul Bopp, que o inventou ao dedicar-lhe um poema, porque imaginou que seu nome fosse Patrícia Goulart - casou-se com Oswald. A militância política iniciou-se em 1931, quando ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e afastou-se de casa para seguir as atividades do partido. Com a ajuda financeira de Oswald, publicou Parque Industrial em 1933, o primeiro romance brasileiro a ter operários como protagonistas, assinado com o pseudônimo Mara Lobo.
Pagu viajou por diversos países como correspondente dos jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias e Diário da Noite. No Brasil, por causa de suas atividades políticas, ficou presa de 1935 a 1940. Vítima de torturas, passou a ter problemas com a saúde. Ao sair da prisão, separada de Oswald, casou-se com o jornalista e escritor Geraldo Ferraz (1905-1979), com quem escreveu o romance A Famosa Revista, publicado em 1945. Trabalhou em diversos jornais, até ambos tomarem a frente do Suplemento Literário do Diário de S. Paulo, para o qual Pagu realizou traduções de autores estrangeiros e escreveu crônicas na seção Cor Local.
A partir de 1952, passou a frequentar aulas na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP), envolvendo-se profundamente com o teatro. Ao mudar-se com o marido para Santos, em 1954, para trabalharem no jornal A Tribuna, iniciou um intenso movimento pelo teatro amador na cidade, traduzindo e montando peças, lecionando e até mesmo fazendo campanha para a construção do Teatro Municipal.
Morreu em 1962 e deixou vários escritos inéditos, que começaram a ser organizados e publicados posteriormente, como os contos policiais reunidos em Safra Macabra, originalmente escritos para a revista Detective, editada por Nelson Rodrigues (1912-1980), com o pseudônimo King Shelter.
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