A maioria dos médicos enxerga a dor como um sintoma para algum problema oculto – trate a doença ou o ferimento e a dor irá embora.
Mas, para um grande número de pacientes, a dor nunca vai embora. Em uma extensa revisão divulgada na semana passada, o Instituto de Medicina – filial da Academia Nacional de Ciências – estimou que a dor crônica aflige 116 milhões de americanos, um número muito maior do que se pensava.
A carga documentada no relatório é chocante. O parto, por exemplo, é uma fonte comum de dor crônica: o instituto descobriu que 18 por cento das mulheres que passam por cesarianas e 10 por cento que têm partos normais relatam ainda sentir dores um ano depois.
10 a 50 por cento dos pacientes cirúrgicos que têm dores depois da cirurgia desenvolvem dor crônica, dependendo do tipo da operação, e para pelo menos 10 por cento desses pacientes as dores crônicas do pós-operatório são severas. (Pelo menos um em cada quatro americanos sofre de dores lombares frequentes.) O risco de suicídio é alto entre pacientes que sofrem desse mal. Dois estudos descobriram que aproximadamente 5 por cento daqueles que sofrem de dores locomotoras tentaram se matar, número que sobe para 14 por cento entre pacientes com dores crônicas abdominais.
“Antes, não dispúnhamos de dados relevantes sobre o tamanho do fardo da dor em nossa sociedade”, diz o Dr. Sean Mackey, chefe de gerenciamento de dor da Escola de Medicina Stanford, e membro do comitê que produziu o relatório. “O número de pessoas é maior do que a diabetes, doenças do coração e câncer, somados”.
Para os pacientes, a admissão do problema pelo prestigioso Instituto de Medicina é um evento seminal. A dor crônica frequentemente fica sem tratamento, porque a maioria dos médicos não foi treinada para entendê-la. E ela também é um fator de isolamento: membros da família e amigos podem perder a paciência, com as reclamações constantes dos sofredores das dores.

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