Macio por dentro e crocante por fora, é feito de fubá de canjica ou mimoso e frito em óleo bem quente
Bolinho de fubá feito de fubá de canjica: mais macio por dentro e mais crocante por fora
O fubá é muito usado nas quitandas da cozinha mineira. Entre as deliciosas receitas que reúnem a família no lanche da tarde, estão as broas, o bolo e o bolinho. Este último (na foto acima) é feito de fubá comum (mimoso) ou de fubá de canjica, que dá um resultado ainda mais fofo e crocante e é um dos quitutes preferidos de todas as gerações da família da dona Basília. Minha mãe.
O fubá canjica é uma iguaria encontrada em Minas Gerais e em Goiás, mas bem mais rara em outras regiões, onde perde, na oferta, para o mimoso. Como descreve muito bem a nutricionista e pesquisadora Neide Rigo em seu blog, o fubá de canjica é feito do milho duro, seco e sem pele, tendo como resultado um pó bem mais fino que o fubá comum, o mimoso.
Recentemente, a promotora de eventos Gisela Berland me chamou para uma entrevista sobre receitas de mãe. A pesquisa renderia conteúdo para o evento de uma importante empresa de equipamentos de cozinha. Falei de vários pratos e ela se interessou especialmente pelo bolinho de fubá. E me contou que, se eu topasse, ele seria servido no chá da tarde que reuniria os vários quitutes das mães das mulheres entrevistadas.
E lá estava toda a mulherada ao redor da mesa (foto abaixo) em que foram reproduzidos o pudim baiano da mãe da chef Silvia Percussi, a torta de limão da mãe da confeiteira Mara Mello, o bolo de nada da mãe da Heloísa Bacellar, dona do armazém Lá da Venda, e o bolinho de fubá da minha mãe, entre outras delícias.
Mesa em que foram reproduzidas as receitas das mães, como o bolinho de fubá da dona Basília
Foi uma tarde gostosa, que nos levou ao ambiente daqueles antigos chás da tarde, no início do século XX, em que imaginamos as mulheres se encontrando para beber chá em salões finos das cidades, para saborear guloseimas e papear. Na saída, ainda ganhamos um livreto com todas as receitas. Provei todas.
Foi aí que notei que o hábito da minha mãe (e de tantas outras) de fazer o bolinho de fubá "de olho" poderia causar dúvidas na hora de ser executada por outras pessoas. O bolinho saiu pequenininho e doce, parecido com um bolinho de chuva. Ficou gostoso, mas originalmente ele é graúdo e salgado.
Com essa memória, no último feriado parti para a casa da minha mãe, em Passos, Minas Gerais, imbuída de uma missão: colocar as medidas certas no bolinho. Dona Basília encampou a idéia. Confirmamos, então, que a receita que passamos para a Gisela estava com várias falhas, era mais uma fórmula "de cabeça", e por isso o bolinho saiu tão diferente.
Minha irmã, Mara, havia comprado fubá de canjica em Furnas especialmente para fazermos o quitute. Nossa, ficou maravilhoso, com uma casquinha muito crocante por fora e, por dentro, muito fofo. A Luiza, minha filha de cinco anos, que o diga, pois comeu muitos deles. Só fazendo para entender a delícia que é comer esses bolinhos dourados no meio da tarde, com café.
Imagina a realização de degustar os apetitosos bolinhos agora devidamente registrados! Decidi, então, montar um caderno de minha família com todas as receitas testadas. Pois preservar as receitas familiares é também proteger a memória regional.
Bolinho de fubá
Receita de dona Basília Maria Augusta Chaves, mãe de Guta Chaves
Rendimento: cerca de 40 bolinhos
Ingredientes
3 copo de água
3 colheres (chá) de sal
3 copos de fubá mimoso ou de canjica
4 ovos batidos
Modo de fazer
1. Ferva a água com sal. Enquanto isso coloque o fubá numa tigela.
2. Escalde o fubá com a água, mexendo com uma colher.
3. Coloque o ovo e vá mexendo com as mãos até dar o ponto de colher para fritar (a massa deve ficar com consistência pastosa).
4. Com uma colher de sopa, pegue a massa e coloque no óleo quente.
5. Quando os bolinhos começarem a subir e ficarem dourados, retire.
6. Coloque os bolinhos num prato, sobre papel toalha


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