O inverno está batendo à porta. Muitas receitas voltam a ser lembradas para espantar o frio. Mas ninguém nunca imaginou tomar sopa de brigadeiro quente com conhaque. Ninguém até que uma jornalista desistisse da profissão para se dedicar à sua maior paixão: o brigadeiro.
Juliana Motter, 33 anos, é autora de mais de 60 receitas com o famoso doce de festa infantil. E foge do convencional: para ela, o granulado estraga o brigadeiro, e ‘docinho de criança’ é coisa do passado. A iguaria, em suas mãos, tem tratamento gourmet. “Desconstruí a receita e a refiz com ingredientes de qualidade”, argumenta. Ela acredita ter apostado em algo a que nenhuma outra pessoa tinha dado o devido valor. “Eu via muito potencial no brigadeiro, mas só eu via.” E para mudar a reputação de seu doce preferido, ela teve de mudar de vida.
Pois é. Muita gente já deve ter ouvido a história da jovem apaixonada por brigadeiros, uma jornalista que tinha como hobby ir para o fogão, derreter manteiga e misturá-la a chocolate e leite condensado. Em toda festa que ia, levava seus docinhos. Até que ganhou o apelido Maria Brigadeiro.
Seus presentes faziam tanto sucesso que um dia recebeu a encomenda de 1.000 brigadeiros. Desdobrou-se e atendeu ao pedido. Agradou em cheio, e passou a aceitar mais encomendas. Por fim, trocou de vez a redação de jornal pela cozinha. Maria Brigadeiro, hoje, é o nome da sua loja. Um espaço especializado no doce, com cerca de
40 receitas tentadoras. Parece número grande, mas para a doceira ainda é pouco. “Quando você tira da mente o estereótipo de doce infantil, descobre um mundo de possibilidades.”
Com esse conceito, surgiu a sopa de brigadeiro e outras delícias. Só para dar água na boca: cupcake, fondue, sorvete, pudim, crepe – tudo de brigadeiro. Sem esquecer o formato tradicional, redondinho, mas com sabores exóticos, como os que levam wasabi ou gergelim. Um dos preferidos de Juliana é o de limão-siciliano. “Este é bom para o verão, por isso só aparece em edição especial”, explica.
As possibilidades são muitas, mas de onde vem tanta imaginação? “Vem do experimentar. Quando viajo sempre trago alguma ideia. Essa de limãosiciliano, por exemplo, trouxe da Itália, onde tomei sorvete com esse sabor. A ideia vem do comer e gostar. Às vezes não dá certo”, confessa.
ARTESANAL
Juliana Motter publicou O Livro do Brigadeiro (Panda Books), que traz receitas, opções para substituir o granulado e a controversa origem do doce, tipicamente verde-amarelo, que ela deleita-se em combinar com a igualmente nacionalíssima cachaça. O resultado do casamento entre o ‘negrinho’ (como chamam o doce no Rio Grande do Sul) e a ‘branquinha’ não poderia ser outro: pura brasilidade!
RECEITA
Brigadeiro de colher
Ingredientes
- 2 latas de leite condensado
- 8 colheres (sopa) de chocolate em pó
- 4 colheres (sopa) de manteiga sem sal
Modo de fazer
Misture todos os ingredientes e leve ao fogo baixo (pode ser médio, para ficar pronto mais rápido). Mexa (mas pode parar um pouquinho). Escolha o tom de marrom preferido. Não precisa olhar o fundo da panela, pois a massa deve ser retirada antes, para ficar bem cremosa. O ponto é aquele que você sente que precisa comer o doce. É só comer. Pode até ser na panela mesmo

0 comentários:
Speak up your mind
Tell us what you're thinking... !